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Esta seção reúne três entrevistas concedidas por Denfire a diferentes veículos ao longo dos anos, abordando a trajetória da editora, atividade editorial, tradução, mercado editorial e outros temas relacionados ao universo do rock, metal e punk.


***

Total Mayhem #6, 

por Renan e Breno (2025) 

Denfire, composição, Misconducters, Rise Up e filosofia musical.
 

Na música do Denfire predomina o som do heavy/thrash metal muito pautado nos riffs mas é possível também notar influências diversas como punk inglês, pós punk e rock and roll. De que forma você busca condensar essas vertentes em seu som?
Bem notado! O som do Denfire tem todas essas influências que você citou, além de hard e prog dos anos 70 e death dos anos 80 e início dos 90. Como gosto bastante de rock dos anos 50 e 60, fusion e trilhas sonoras, é bem capaz que isso também esteja dentro do caldo, mesmo que em menor proporção. Acho fácil juntar tudo de maneira coerente, porque, no final das contas, o molde que uso é o rock’n’roll. Ou seja, estruturas sólidas, ritmos pulsantes e bastante melodia. Se você reparar bem, Venom, Motörhead, Judas Priest, Exploited, entre tantos outros, pelo menos em seus primeiros álbuns, eram totalmente fincados no rock’n’roll. Com o tempo, foram se moldando, cada um à sua maneira, e suas raízes foram se tornando menos evidentes, mas continuam lá até mesmo em seus últimos lançamentos. 


Voltando um pouco no tempo, o Denfire é resultado do fim de uma outra banda sua, Misconducters. Como foi o período de transição entre as duas bandas e em que elas se assemelham sonoramente?
Nunca foi fácil, mas em 2019 estava inviável manter o Misconducters funcionando, então tomei a difícil decisão de parar, pelo menos temporariamente, de tocar como banda e voltar a trabalhar em músicas mais intrincadas e direcionadas ao metal – algo que eu fazia nos anos 90. Em 2010 eu desenhei esse logo do Denfire numa folha sulfite, meio que idealizando algum projeto mais pesado para o futuro, mas ficou literalmente engavetado. Em 2020, o lockdown me incitou a dar vida ao Denfire e a intenção era lançar um EP de três faixas por ano, mesmo que só em formato virtual, para me manter ativo musicalmente. Gravei, então, o Riding the Winds of Death em 2021 e o Collective Insanity em 2022. Devido aos imprevistos da vida, ficou praticamente impossível lançar um terceiro EP no ano seguinte, então decidi ir acumulando músicas para um eventual álbum completo (que acabou se tornando o Rise Up, 2025). Quanto à semelhança sonora entre as duas bandas, como no Misconducters eu também compunha todas as músicas, acaba existindo um inegável elo de identificação. Mas daria para dizer, por cima, que no Misconducters as músicas são mais diretas e de arranjos mais simples – afinal, é um trio –, mais calcadas no hard rock e no punk, com um toque de metal, e com uma preocupação em fazer todas as músicas soarem bem ao vivo (tanto que, ao compô-las, sempre as testo em casa tocando em pé e cantando junto, antes de passar para o restante da banda, para me certificar de que conseguirei reproduzir ao vivo com a garra e a vivacidade necessárias). Já no Denfire, faço diversas camadas de guitarra, com estruturas e arranjos bem mais complexos e voltados ao metal.
 

O Misconducters você iniciou ainda morando na Inglaterra, correto? Como músico do underground, quais prós e contras em se ter uma banda nesse submundo na Inglaterra e no Brasil?
Isso já me foi perguntado algumas vezes e sempre apontei que uma diferença crucial entre lá e cá é o maior grau de “profissionalismo” e melhor estrutura da Inglaterra. Mas vejo o Brasil aprimorar cada vez mais nesses dois pontos, mesmo que “continue devendo” em comparação a um país melhor estruturado social e economicamente. E o número de casas e eventos underground em SP está muito maior do que em 2003, quando deixei o Brasil por dez anos. Outra diferença gritante entre as cenas dos dois países é o protecionismo deles em relação aos músicos locais. Lá é tudo British isso, British aquilo, e muito dificilmente uma banda local que tenha todos ou muitos integrantes estrangeiros despontará. Por outro lado, algo em que São Paulo está se assemelhando cada vez mais a Londres é a quantidade de eventos underground de diferentes portes e subgêneros praticamente toda semana – gera até um tráfego!    
 

Apesar de ser uma “one man band”, há pretensão de tocar ao vivo com músicos convidados?
Não tenho a intenção de reproduzir o material do Denfire ao vivo, e o motivo é simples: após tocar em bandas por trinta e quatro anos, cansei de precisar dar mais do que 100% para compensar a falta de comprometimento de um ou mais integrantes. No começo é tudo uma festa, muita empolgação, mas não demora para alguém começar com drama. Entreguei minha vida à música aos 14 anos de idade, quando comecei a tocar guitarra, compor e fazer shows. Hoje, aos 48 anos e com um dia-a-dia bem corrido, gravar com o Denfire e trabalhar com rock está de bom tamanho. Dito isto, eu gostaria sim de poder voltar a tocar ao vivo, mas para tanto é necessário topar com músicos talentosos e pé-no-chão (sei que eles existem), que gostem de ensaiar e viver a parada, com responsabilidade e dedicação, sabendo que não há dinheiro envolvido ou qualquer possibilidade de estrelato. Meu interesse é na arte, não em “carreira”. E acho que a maior chance disso acontecer seria com o Misconducters; um power trio com vasto repertório que foi testado e aprovado, aqui e lá fora.
 

O que podemos esperar sobre o novo álbum e como está o processo de lançamento?
São sete faixas, uma instrumental, todas muito intensas e bem trabalhadas. Lançarei pela Editora Denfire em conjunto com os seguintes selos: Heavy Metal Rock, Mundo Bizarro, Metal Reunion, Ihells Productions e Crazy or Lixo. A gravação foi feita pelo Wecko no Dual Noise Studio, em São Paulo.  
 

Os dois primeiros EPs, Riding the Winds of Death e Collective Insanity, a princípio foram lançados apenas de maneira virtual e posteriormente em cassete. É um tanto curioso vivermos em um momento em que apreciamos o novo e o velho simultaneamente. Como você enxerga a forma de consumir música hoje em dia?
Pois é, como eu disse antes, toco músicas próprias em bandas desde 1991, mas a primeira vez que gravei num estúdio “de verdade” foi no início dos anos 2000 – antes era só demo de ensaio em fita cassete gravada num walkman de camelô. Ou seja, ficou bem mais viável gravar com qualidade e, com isso, novos formatos de áudio surgiram. Pessoalmente, continuo consumindo LPs e CDs – as fitas eu meio que deixei encostadas porque me fata um aparelho no momento –, mas volta e meia compro um álbum virtual no Bandcamp e ouço bastante música por lá e pelo Youtube. No carro eu uso um pendrive com material baixado de graça ou pago. Acho tudo válido, gosto desses formatos modernos pela praticidade. Mas não há nada como pegar um LP ou CD original de época, ou lançamento recente de qualidade, e ouvir no stereo da sala.  
 

Os dois EPS serão lançados também em outros formatos?
Não pretendo lançá-los em formato físico de forma independente, mas caso algum selo se interesse em fazer isso é só entrar em contato, será um prazer. 


A parte estética da Denfire tem sido muito bem elaborada (particularmente, tanto nesse quesito quanto musical me soa como um aprimoramento do Misconducters), tem ficado a cargo de quem desenvolve as artes de capa? Você acaba se envolvendo também nesta parte tendo em vista a familiaridade por conta da editora?
Como eu disse anteriormente, fiz o logo do Denfire à caneta numa folha sulfite, mas passei para o Alexandre Kool vetorizá-la e dar aquela lapidada. Apesar de desenhar e pintar desde criança, fui “perdendo a mão” durante a adolescência por causa do meu foco na guitarra, então preferi deixar as capas dos lançamentos do Denfire com quem realmente manda bem nessa área. No caso do Rise Up, o autor da pintura é o Yuri Padial (Infernal Art), e isto é o que o próprio tem a dizer sobre a sua obra com exclusividade para o Total Mayhem: “O papel é um A4 180g e foi usado um mix de tinta nanquim vermelha e preta com tinta PVA branca, essa última para criar os tons mais acinzentados das rochas”. A diagramação toda do CD Rise Up foi executada pelo Z Aldo, fanzineiro e vocalista da veterana banda punk carioca Amnésia Moral, e também responsável pelo selo Crazy or Lixo. Por fim, eu gostaria de agradecer pelo interesse e parabenizar você e o Renan pelo ótimo trabalho com o Total Mayhem. É muito bom ver um zine feito com vontade e dedicação voltado mais para o hard, heavy, speed, thrash, porque já temos muitas publicações de qualidade tratando de música extrema. 




***


Whiplash 

por Mário Pescada (2023)
Trajetória, Londres, a Editora Denfire, Martin Popoff, festivais e bastidores.
 

Denfire é um sujeito inquieto: músico multi-instrumentista, tradutor, escritor, dono da editora que leva seu codinome, já morou em Londres por dez anos, em uma comunidade carente de Paraty/RJ por cinco anos e segue morando hoje em São Paulo. Em Londres, entre trabalhos diversos, foi o primeiro correspondente internacional da revista Comando Rock, editor de seu próprio portal bilíngue, o Rockonnection, e formou o MISCONDUCTERS, trio que fundia punk, metal e alternativo, junto com outros dois músicos estrangeiros. De volta ao Brasil, criou a Editora Denfire que completa em 2023 cinco anos de atividades e que já emplacou ótimos livros sobre IRON MAIDEN, MERCYFUL FATE, JUDAS PRIEST, NAZARETH, BLACK SABBATH e DIO, só para citar alguns títulos, muitos deles do talentoso escritor e jornalista canadense Martin Popoff – obras essas até então inéditas no Brasil. Fomos conversar e conhecer um pouco mais do DENFIRE, um cara que vive o underground há décadas, confira!
 

Como você descobriu as obras do Martin Popoff e como foram as negociações com ele para lançá-las aqui no Brasil?
Conheci um pouco do trabalho dele como colaborador de sites quando eu morava em Londres. Em 2017, já de volta ao Brasil, li um de seus livros pela primeira vez, o então recém-lançado Hit The Lights (nota: livro que conta a história do surgimento do thrash metal). Como gostei bastante, entrei em contato e, após mostrar parte do meu portfólio como correspondente internacional e conversarmos informalmente sobre música, sugeri traduzir o livro em questão e oferecê-lo a alguma editora brasileira. Ele gostou da ideia, mas após quase um ano inteiro entre tradução e recusas de diversas editoras, precisei notificá-lo de que o projeto parecia não querer vingar. Isso me serviu bem, pois fui estimulado a abrir minha própria editora.
 

O catálogo dele é imenso, são 115 biografias (!!!) de bandas de rock/metal, algumas já fora de catálogo. A ideia é resgatar os lançamentos mais antigos ou focar nos mais novos? 

Pois é, e na época do Hit The Lights esta marca era de “apenas” 60 livros lançados, o que mostra o quanto esse campo vingou a seu favor nos últimos anos. Eu adoraria publicar vários livros dele, mas preciso me ater apenas aos que ele lançou de forma independente, porque negociar com editoras gringas fica um pouco fora de mão para alguém do meu porte. Além do mais, dou muito valor a um relacionamento direto com o autor e procuro evitar negociações com empresas que visam o lucro em primeiro lugar.
 

O mercado editorial brasileiro se abriu de uns cinco anos para cá para lançamentos voltados ao rock/metal, seja por editoras, seja por lançamentos undergrounds. Como é trabalhar com livros desse segmento no Brasil?
É bem difícil, exige muita dedicação. Quase 2/3 dos brasileiros admitem não ter o hábito da leitura, e no meio rock/metal não é diferente. Os oportunistas sempre existirão, mas ao garimpar nessa miríade de lançamentos gourmet é possível encontrar muito material com conteúdo de alta qualidade, como Leia No Volume Máximo de Felipe Senra e a compilação homérica do No Front Zine do Aldo Sketch e do Fred – ambos ótimas sugestões suas.
 

Além dos livros biográficos, a editora também deu espaço a títulos ligados a música, de alguma forma. De uns tempos para cá, esses lançamentos diminuíram. O que houve?
Esse tipo de título não vai mais fazer parte do catálogo da editora? 

As biografias vendem mais, enquanto livros de ficção como o Punk Faction tendem a encalhar ou sair muito vagarosamente. Tem muita coisa legal de autores underground que eu adoraria publicar, mas preciso manter os pés no chão. Ainda assim, pretendo lançar algo fora do formato biografia toda vez que der uma desapertada no orçamento.
 

Seu livro, Offline: Sondando O Underground, reproduz dezenas de entrevistas suas, de 2006 a 2013, com NAPALM DEATH, AMEBIX, CANNIBAL CORPSE, THRASHERA, RATOS DE PORÃO, TIAMAT, JELLO BIAFRA, MASTER, PENTAGRAM, HENRY ROLLINS, TORTURE SQUAD, KREATOR, MASSACRE, URIAH HEEP, BRUTAL TRUTH e muitos outros. Quais lembranças você tem dessa época e, em geral, como foi a experiência de conversar diretamente com essas bandas, muitas das quais você é fã?
Essas entrevistas foram feitas durante o decênio em que morei em Londres e são uma lembrança muito especial para mim. Cheguei lá com 26 anos, e hoje, aos 46, fico muito satisfeito por ter tomado a decisão de explorar uma região que é uma verdadeira meca do rock. Fiz e vi shows em diversas casas icônicas, frequentei lugares repletos de músicos e artistas, morei em bairros cheios de história, enfim, absorvi abundantemente a cultura britânica. Como sempre gostei de ler e escrever, me lancei no mundo do jornalismo musical para cobrir shows e, eventualmente, entrevistar bandas. O credenciamento lá é bem mais fácil do que aqui, então tive acesso a muitos “chiqueirinhos” (a área entre o palco e as barreiras que separam o público da banda), ônibus de turnê e bastidores. Após praticar com entrevistas por escrito, minha primeira “cara a cara” foi com Mark Osegueda e Rob Cavestany, do DEATH ANGEL, ambos gente finíssima. Na maior parte, as entrevistas foram boas ou ótimas, e pude conhecer melhor muitos músicos que admirava, além de me inteirar melhor sobre vários aspectos dos ramos da arte e do entretenimento.
 

Você descreveu sua entrevista com o Lemmy (MOTÖRHEAD) como uma das piores que fez por não estar devidamente preparado e ele estar num baita mau humor. Conta um pouco mais pra gente como foi esse dia, afinal, Lemmy é Lemmy!
Essa entrevista ocorreu em fevereiro de 2009 em Cambridge, pois o credenciamento para o show de Londres já estava esgotado. Apesar de eu ter chegado lá na hora combinada, o empresário disse que o Lemmy estava “num daqueles dias” e precisava de tempo para “melhorar o humor”, e achava que isso poderia demorar algum tempo, então o mais sensato seria eu dar meia-volta e deixar pra lá. Como sempre fui um grande fã daquele velho ranzinza e havia me desdobrado para conseguir sair de Londres durante a tarde, fiquei num pub próximo aguardando o empresário tentar sanar a situação, e neguei todos os pedidos de “por favor, vá embora”, que ocorriam a cada 10 minutos pelo celular, até que ele finalmente se rendeu. Uma vez dentro da casa, ainda precisei esperar mais uns 15 minutos próximo da famigerada road crew, que montava o palco, antes de entrar na salinha minúscula na qual o Lemmy se encontrava sozinho jogando uma daquelas máquinas caça-níquel. A olhada que ele me deu assim que entrei já ditou o tom do encontro – ou, pelo menos, a primeira metade. Apertei o REC do gravador, apoiei-o na mesa e saquei as perguntas que eu tinha escrito à mão em tiras de papel. Por ser um grande fã, achei, ingenuamente, que apenas umas colinhas seriam o suficiente para conduzir uma entrevista daquele porte – ao invés de imprimir perguntas bem elaboradas em folhas sulfite, como sempre fizera. Para piorar, como gosto muito mais da fase da banda que vai até 1991, fiquei perguntando sobre fatos antigos e ele sempre se queixava, dizendo que aquilo já tinha acontecido há muito tempo e que não queria responder coisas do tipo. Quando tudo parecia perdido, falamos algo sobre sua performance como baixista e ele começou a ter um surto de autopiedade, e eu simplesmente não acreditei no que estava ouvindo. Eu disse, então, que ele era o Lemmy e que não precisava provar nada a ninguém etc, e dali em diante ele passou a olhar na minha cara pela primeira vez. A entrevista desandou e não cheguei a fazer nem 1/3 das perguntas, mas pelo menos os ânimos eram outros. Antes de sair, tirei uma foto com ele e rumei para a estação de trem, que ficava a uma boa caminhada de lá. Meia hora depois, o empresário me ligou dizendo que eu tinha esquecido o gravador em cima da mesa. Voltei para pegar e, ao chegar em casa, descobri que o aparelho tinha ficado ligado o tempo todo! Ou seja, tem uns 20 minutos de conversa do Lemmy com o empresário, falando sobre futuros agendamentos, hotéis e camarins específicos... até que o Lemmy diz: “O que é isso? Acho que o rapaz esqueceu o gravador”.
 

Esse livro também aborda coberturas para os festivais Hellfest (2010) e Rebellion (2009 e 2010, considerado o maior festival independente de música punk do mundo). Qual te impressionou mais e quais as maiores diferenças dos festivais gringos para os feitos no Brasil?
O Hellfest é o melhor festival de música pesada ao qual já fui: muitas bandas boas, de diferentes gêneros, onde praticamente todas as apresentações que vi começaram no horário anunciado durante os três dias de duração – um ponto baixo foi a falta de limpeza dos banheiros e área de camping, que no último dia estavam em péssimo estado. As duas edições do Rebellion foram excelentes também, e o legal é que a pequena cidade costeira de Blackpool (logo ao norte de Liverpool) fica forrada de punks por cerca de quatro dias. Mas notei que desde que voltei para o Brasil, há dez anos, as coisas mudaram bastante e os festivais por aqui agora estão com uma estrutura bem melhor. Com tanta banda gringa vindo pra cá, não seria possível continuar fazendo as coisas com desleixo ou picaretagem. Parece que, salvo as exceções que sempre existirão, tanto bandas quanto promotores, estão cada vez mais se tocando de que precisam fazer seu trabalho direito se quiserem ser respeitados e engatar suas carreiras. Dito isso, é lamentável que ainda haja aberrações como pista vip e sejam cobrados valores obscenos para alguns shows underground.
 

No livro Relatos da Quarentena, você juntou músicos/artistas como Tony Dolan (ex- VENOM, VENOM INC.), Martin Popoff (jornalista/escritor), Walcir Chalas (proprietário da Woodstock Rock Store), Carlos Lopes (DORSAL ATLÂNTICA), Leather Leone (CHASTAIN, solo) e outros, para relatarem como estavam enfrentando a pandemia da Covid-19, que estava no seu ápice e pegou todo o mundo de surpresa. Como surgiu essa ideia e como você lidou com esse período?
Aquele foi um período bem estressante e duro para mim. Sou antenado com os acontecimentos internacionais, então soube do potencial do Covid já em novembro de 2019, quando nos States e na Europa os mais desesperados começaram a surtar com os alardes da mídia terrorista. Como a coisa toda parecia estar tomando proporções maiores do que as de crises de saúde pública em larga escala costumeiras, e tudo era ainda muito incerto, achei relevante capturar os desdobramentos em tempo real, ou seja, contatar pessoas de diferentes países e que fossem das artes e do entretenimento para saber o que pensavam de tudo aquilo e como estavam se virando, já que os donos do mundo mandavam todos ficar em casa. Sorte minha que pude continuar com a editora e traduções, mas e quanto a quem não tinha como trabalhar em formato home office? Enquanto os acordos nefastos entre empresas farmacêuticas multinacionais e governos do G7 eram feitos, o resto do mundo ficava à mercê do que a mídia vendida noticiava após coletar os dados dos corruptos órgãos de saúde. Com a bomba na mão, coube aos governantes de cada país jogar o jogo como lhes fosse mais conveniente, e no Brasil, já desgovernado com aquele boçal e sua trupe, testemunhamos um verdadeiro show de horrores. Vale apontar que, em meio a todo aquele descontentamento apavorado e recheado de neurose que as pessoas expurgavam através das redes sociais, muita gente (na maioria, mulheres) que contatei para fazer parte do livro ignorou ou negou o convite; no Brasil, professores mais velhos alegaram que o governo vigente poderia vir a se comportar como na época da ditadura, enquanto pessoas dos EUA, Chile, Inglaterra e Japão disseram preferir não ter seus nomes publicados em livros para evitar eventuais problemas em suas moradas. Mesmo entre os participantes do livro é possível notar a diferença de tom e profundidade adotados. Isso tudo demonstra a eficácia do medo como arma infalível para empurrar praticamente qualquer agenda reformista – ou bloquear uma.
 

Uma vez te disse que deveria haver uma versão nacional do livro Blood, Guts & Beer (um apanhado de discos, que, mesmo não tendo sido campeões de vendas, tiveram grande impacto no underground e em outras bandas, como Fith Hounds Of Haddes (1982) do TANK, A Time Of Changes (1985) do BLITZKRIEG, Metal Anarchy do WARFARE (1985), Monolith do AMEBIX (1987), Master do MASTER (1990) e Scandinavian Jawbreaker (2009) do ANTI-CIMEX) para, assim como o original, celebrar álbuns “matadores dos anos 80 e 90”. Se fosse para lançar a versão tupiniquim, indica aí pelo menos três discos que você não deixaria de fora e o porquê.
Pois é, e desde que você me sugeriu essa “versão brasileira” fiquei com isso na cabeça, mas estou muito sem tempo para uma empreitada dessas. Que tal você fazer e eu reviso, diagramo e lanço? Podemos conversar, se você estiver com disposição e disponibilidade. Quanto aos três discos que eu não deixaria de fora, é preciso, antes de tudo, esclarecer que eu evitaria material de bandas mais consagradas e “manjadas” como Sepultura e RDP, e daria preferência a material menos difundido, mas ainda assim de qualidade e relevância dentro de seus subgêneros. Ou seja, algo como o Mental Slavery do MX, um thrash selvagem de primeira, assim como o crossover inovador do debut autointitulado do Lobotomia e o death metal brutal e inspirado de ...In the Darkness of Limb do Valhalla, que gozaram de algum sucesso por um breve período, mas, apesar do alto nível, não atingiram um grau tão elevado de popularidade e se tornaram cult, no melhor dos casos.
 

Você morou em Londres por 10 anos e lá fundou o MISCONDUCTERS, power trio que fundia punk, metal e alternativo com outros dois integrantes estrangeiros. A banda chegou a lançar cinco discos de estúdio e conseguiu um certo reconhecimento no disputado underground londrino, abrindo shows para DISCHARGE, ENGLISH DOGS, DISORDER, BROKEN BONES entre outros. Quando voltou ao Brasil, reformou a banda, certo? Ela acabou de vez?
Sim, após ter feito parte de outras bandas por lá mesmo, fundei o MISCONDUCTERS em 2008. Ao voltar para o Brasil, reformei o trio com dois brasileiros e gravamos mais três discos. Essa formação desbandou e uma outra foi tentada, mas novamente empacou, então resolvi finalmente jogar a toalha e seguir em formato solo com o DENFIRE.
 

O DENFIRE tem dois EPs virtuais no Bandcamp: Riding The Winds Of Death (2021) e Collective Insanity (2022). Neles você canta, toca, compõe, produz. Como foram as recepções aos lançamentos? Há algo novo em vista?
Todos que ouviram gostaram muito e parecem concordar que, musicalmente, se trata de um passo adiante em relação ao MISCONDUCTERS. Tenho cinco músicas na manga e planejo lançar mais um EP este ano, para, eventualmente, gravar um álbum. Mas, a boa nova é que dia 19 de junho esses dois EPs que você mencionou sairão em fita cassete pela Rocketz Records.
 

E o DENFIRE deve seguir só com você ou há planos de incluir outras pessoas?
A princípio, apenas eu. De 1991 até hoje, escrevi dezenas e mais dezenas de músicas e toquei em diferentes bandas, de diversos estilos (dentro do rock), e muito material foi desperdiçado com gente que não se empenhava. Esses dias mesmo li um breve relato da Prika Amaral (da banda NERVOSA), onde ela desabafava sobre se dedicar mais do que as outras integrantes e, mesmo assim, dividir o pão de forma igualitária – o que ocasionou em diversas rupturas na estrutura da banda. Sei muito bem do que ela está falando, e, no meu caso, são 32 anos ininterruptos de devoção absoluta e sem a metade do respaldo que ela conseguiu. Ainda assim, sigo em frente mais criativo e afiado do que nunca, porque quem realmente leva essa arte a sério não precisa de aplausos e regalias para exercer o que diz estar “na alma”.
 

O que dá mais trabalho: tocar uma editora ou uma banda?
Apesar de existirem algumas semelhanças entre as duas, talvez levar uma banda seja um pouco mais “ingrato” devido à desproporção na balança entre “trabalho e retorno”. De cara, é preciso haver um enorme grau de comprometimento de todos os envolvidos, e isso é muito difícil de ocorrer. Para a banda “vingar” são necessários, além do comprometimento: carisma, contatos e uma boa dose de sorte para que, durante os percalços desse jogo acirrado, cruel e desgastante, a banda consiga se manter ativa e funcional para superar as dificuldades quantas vezes for necessário. No fim das contas, tudo volta ao comprometimento, e não adianta um ou dois membros darem mais do que 100% para compensar a insuficiência alheia.
 

Tem um filhote seu a caminho... como foi essa notícia para você e o que isso já mudou na sua vida?
Acho que a ficha ainda não caiu, mas os preparativos e adaptações em todos os setores da vida já começaram. Mal posso esperar!
 

DENFIRE, obrigado por atender ao 80 Minutos e por trazer até nós as obras do Popoff, sempre bem escritas e ricas em detalhes. O espaço é seu!
Eu que agradeço a oportunidade. Parabéns pelo ótimo trabalho!




***
 

Fanzine Mosh

por Fellipe CDC (2021)
Os primeiros anos da Editora Denfire, seus lançamentos iniciais e os planos para o futuro.
 

Denfire é músico, professor, tradutor, escritor e mais recentemente resolveu se aventurar pelos ramos da publicação para a nossa sorte. Falaremos um pouco dessas coisas nas linhas abaixo com esse viajante do mundo. Acompanhe-nos por mais essa viagem!
 

FM) Den, sinta-se em casa! Agradeço em nome do Fanzine Mosh o fato de você ter aceitado o convite para essa entrevista. Para começar, a guitarra foi o seu primeiro instrumento musical? Dentre os milhões de guitarristas espalhados pelo mundo, quais os que mais te inspiram?
Den) Eu que agradeço pelo interesse. Sim, fiz 4 aulas de guitarra em 1991, aos 14 anos, e, ao aprender o power chord e uma posição da escala pentatônica, julguei estar apto o suficiente para compor e seguir por conta própria. Minhas inspirações sempre vieram principalmente de músicas bem escritas, praticadas por bandas de diferentes níveis técnicos, mas talvez valha citar alguns guitarristas-chave: Chuck Berry, Jimi Hendrix, Mick Box, Tony Iommi, Glenn Tipton, Fast Eddie, Mantas, Dave Mustaine, Trey Azagthoth…
 

FM) Rapaz, você já fez uma pancada de coisas nessa vida, né? E fez tudo sem abandonar a música. Ainda bem. Você conseguiria fazer uma espécie de link com a música em todas as áreas em que trabalhou? Tipo: pegou um trampo de tradução chato para caramba e acabava aproveitando alguma parte do texto para usar como ideia para uma nova letra.
Den) Na minha primeira semana em Londres, estava trabalhando numa obra na zona leste da cidade e precisei ir comprar parafusos em uma loja a duas quadras dali. No caminho, com o canto do olho, avistei uma folha de papel sulfite pendurada na parede de um pub, com os dizeres “Angel Witch – clássico da NWOBHM”. Voltei dois passos para averiguar melhor aquele cartaz tosco em p&b todo escrito com fonte arial (inclusive o nome da banda) e notei que realmente se tratava “do” Angel Witch. Quando olhei para cima para ver o nome do pub, era o Ruskin Arms (aquele mesmo). O cartaz anunciava um show do power trio na noite seguinte, então tive tempo até de separar a máquina fotográfica para levar para o trabalho e tirar uma foto com o Kevin Heybourne após a performance. Numa outra ocasião, quando eu ganhava meus trocados segurando a placa de uma loja de instrumentos musicais na rua de Londres mais conceituada nesse segmento, Yngwie Malmsteen, acompanhado por um amigo, veio me perguntar se a loja que eu promovia poderia lhe emprestar uma guitarra e um amplificador, e eu disse que ele deveria ir lá e requisitar o equipamento que quisesse. Assim que ele partiu, liguei pro dono para me certificar de que ele saberia quem era o cara extravagante de 2m, botas de cowboy, sobretudo com ombreira, Ray Ban a lá Abaddon e cabelo meio armado que apareceria à sua porta pedindo por um favor um tanto audacioso. Pouco tempo depois, o mago sueco estava de volta com uma strato branca e um amplificador de 30W ligado num gerador, a 3m de distância de mim, dando um show na calçada para quem quisesse ver. Na verdade, esse tipo de coisa era corriqueiro em Londres, e lá vivenciei muitas situações dignas de inclusão em um livro (algo que eventualmente ocorrerá), sem contar inúmeros episódios bem loucos em SP e Paraty/RJ (onde morei por 5 anos, numa comunidade carente, ao voltar para o Brasil).
 

FM) Você toca em bandas desde 1991, mas só decidiu montar a sua própria banda no ano de 2008, quando já estava morando na Inglaterra. Quero que você conte um pouco sobre os primeiros dias do MISCONDUCTERS.
Den) Depois que a primeira banda na qual entrei em Londres se desfez devido à morte do vocalista (ele teve um ataque cardíaco fulminante durante um ensaio), passei a fazer busking enquanto procurava entrar em outra. Eventualmente, decidi pegar algumas das músicas que eu havia escrito anos antes, ainda no Brasil, e sondar pessoas que estivessem dispostas a tocá-las numa outra veia. O Misconducters, formado em janeiro de 2008, foi apenas uma nova versão da banda que eu havia montado dois anos antes, e cujo som foi ficando cada vez mais intrincado. 


FM) Tem como falar brevemente sobre todos os trabalhos lançados pelo MISCONDUCTERS e se tem um em especial que mais o satisfaça enquanto músico, compositor e produtor?
Den) São 5 álbuns e 5 EPS, gravados com formações – e em estúdios e países – diferentes. Cada lançamento retrata, nem sempre de maneira muito fiel, os diferentes momentos da banda. Gosto destes 3 álbuns: Pariah, Circadian e Boundless. Os dois últimos foram gravados em São Paulo e Santos, nos estúdios Lumen e O Beco, respectivamente, com a mesma formação (Vitão na bateria e Brisa no baixo), e fazem parte do período “prog” (não chega a tanto) da banda. Já o Pariah, também gravado no Lumen, é o álbum mais bem acabado e elaborado, por isso talvez seja o meu favorito: https://misconducters.bandcamp.com/album/pariah
 

FM) Alguma razão específica para ter montado a MISCONDUCTERS na Inglaterra e não no Brasil?
Den) Apenas aconteceu dessa maneira.


FM) Como foi essa década que morou na Inglaterra? O que essa passagem trouxe de positivo para você enquanto ser humano?
Den) Logo que cheguei lá, em 2003, senti a tensão no ar, gerada por um mar de pessoas de todos os cantos do mundo, cada qual com seus objetivos, históricos e rotinas. Apesar das disparidades e problemas costumeiros de uma metrópole, é admirável a capacidade britânica de controle da conjuntura, ainda que a sensação de perigo iminente em relação à sua estabilidade seja constante, oriunda, em grande parte, de cidadãos insatisfeitos e/ou perturbados devido ao previsível efeito colateral de um monitoramento tão rígido, firmemente calcado em hierarquia e valores nacionais. Basicamente, precisei me adaptar aos costumes da capital de um dos ex impérios mais influentes dos últimos séculos, e no processo constatei o quão atrasado o Brasil é em muitos aspectos, especialmente em se tratando de coletividade. A diferença entre colonizador e colonizado é gritante, e as características estão inseridas em todas as áreas da vida, por mais singelas que sejam. Apesar de egoísmo, maleabilidade e corruptibilidade serem atributos inerentes dos seres humanos de forma geral, numa (ex?) colônia, com um povo sofrido que há mais de 500 anos cultiva uma conduta escravocrata e servil, a busca desesperada por uma migalha do bolo – ou, melhor ainda, ascensão social – acarreta um comportamento passivo e individualista típico. Voltei ao Brasil bem a tempo de testemunhar o tal gigante “acordar” em 2013, e o que se viu foi uma oposição vaidosa e desorganizada permitir um “Cavalo de Tróia” adentrar e se estabilizar nas veias do poder. Quando, após o golpe de 2016, parecia que as coisas não poderiam ficar piores… cá estamos. E sem união alguma entre a oposição, num sinal claríssimo de falta de interesse em trabalhar pelo bem-estar geral, mas em prol do seu próprio. Se eu fosse apontar o maior “bem” adicionado à minha ”bagagem” após dez anos morando fora, diria que foi a constatação do quão falho o ser humano é, seja qual for sua classe social, gênero, idade, crença ou nacionalidade. Para cada indivíduo que procura evoluir espiritualmente, há vários que optam por vias cômodas e limitantes. Isso é viabilizado, como os donos do mundo bem sabem, através de técnicas milenares de dominação. Seja em Londres, São Paulo ou Paraty, os tipos são os mesmos. Dito isso, considero primordial nos esforçarmos ao máximo para aprendermos uns com os outros, com a finalidade de gerar respeito mútuo e inibir o afloramento das nossas características mais desprezíveis.


FM) Você não só morou na “Terra da Rainha” como também montou banda e tocou diversas vezes em pubs londrinos. Conte como foi essa experiência e quais as diferenças mais gritantes com a nossa cena brasileira? Algumas apresentações mais marcantes do MISCONDUCTERS que queira compartilhar conosco?
Den) Toquei muito em Londres, mas também em algumas cidades não muito distantes, como Birmingham; após abrirmos um show do Discharge na capital, o promotor gostou do que viu e nos chamou diversas vezes para tocar no berço do heavy metal, abrindo para bandas como English Dogs, Disorder, Broken Bones, The Fiend e muitas outras. O Brasil se desenvolveu significantemente em vários aspectos no que se refere a gravação, promoção e estrutura geral de eventos underground de 2003 pra cá, mas o circuito de Londres continua mais desenvolvido. E isso se dá, em grande parte, por duas razões que vão além do “jeito natural para a coisa” que eles certamente têm. A primeira: o Reino Unido possui uma moeda forte e está interligado a outros países pequenos e desenvolvidos da Europa, o que facilita a locomoção e contratação de bandas estrangeiras. A segunda: o rock’n’roll está profundamente inserido na cultura deles, resultando numa maior tolerância da sociedade a pessoas “alternativas”. Assim como aqui, lá também existem panelas e isso dificulta um pouco a integração, mas talvez ainda mais desafiador seja convencer o público a ouvir o seu trabalho, porque o londrino desfruta de um catálogo musical muito rico e há muito tempo, o que o torna dificilmente impressionável.
 

FM) De volta ao Brasil você deu uma paralisada na carreira do MISCONDUCTERS e está com algumas músicas já compostas para futuras gravações. Porém, para tanto, pretende usar o nome DENFIRE. Alguma razão em especial para tal decisão?
Den) Na verdade, foi no Brasil que mais gravei álbuns com a banda (4 dos 5). Em Londres, foram os EPs e o debut. A principal razão que me fez decidir seguir propriamente solo, onde gravarei todos os instrumentos, é que sempre tive dificuldade em manter uma formação estável. Sob o nome Denfire, eu já havia lançado um CD com músicas instrumentais, onde toquei e mixei tudo, em 2008. O Pariah do Misconducters também foi gravado e produzido inteiramente por mim, e é algo nessa veia, porém mais metal e elaborado, que pretendo fazer como Denfire muito em breve.


FM) Em julho de 2018 você decide pela criação da Editora Denfire (da qual tenho algumas publicações e tem sido um dos meus alentos nesse terrível momento pandêmico pelo qual atravessamos). O seu primeiro lançamento foi OFFLINE: SONDANDO O UNDERGROUND. Como foi a repercussão deste trabalho e o que o inspirou a se aventurar por esse universo das publicações?
Den) Eu já havia lançado uma versão mais curta do Offline (uma coletânea de entrevistas e resenhas de shows que realizei como correspondente internacional) em 2015, tanto em inglês como em português, de forma independente onde, aliás, consta uma entrevista com você. No ano seguinte, comecei a me comunicar com o renomado autor canadense, Martin Popoff, após adquirir livros dele e me oferecer como tradutor de suas obras para diversas editoras brasileiras que pudessem estar dispostas a lançá-las. Após ser ignorado por todas, acabei tendo a ideia de montar a minha e estrear com uma versão 2.0 do Offline, já com o Hit the Lights engatilhado como segundo lançamento.
 

FM) Até o momento a EDITORA DENFIRE disponibilizou 11 publicações. Comente um pouco sobre elas e como faz para decidir o que e quando lançar um novo livro?
Den) Quase todos os lançamentos vêm com mini poster e adesivo exclusivos de brinde, pois vejo os livros como itens colecionáveis; é algo feito com muita dedicação, nostálgico, que remete à era pré-internet – não tenho interesse em usar o formato e-book. Sou autor de 3 dos títulos e pretendo continuar essa saga. Gostaria também de poder lançar mais romances, mas, infelizmente, os que já lancei não venderam bem e o orçamento é limitado. Por isso, preciso me ater a biografias e formatos semelhantes. Até agora, os livros que mais gostei de traduzir talvez tenham sido Black Sabbath: The Thrill of it All, que eu havia lido no meu segundo ano em Londres, mas desta vez pude apreciar toda a sua “britaniquice” com outros olhos; Black Funeral: A História do Mercyful Fate, onde King Diamond fala extensivamente sobre sua filosofia de vida, com a qual compactuo em grande parte; e Punk Faction, um romance dramático e violento envolvendo questões recorrentes entre punks e skinheads.


FM) Quais as pretensões da EDITORA DENFIRE e do cidadão Denfire?

Den) Pretendo continuar lançando material de qualidade indefinidamente. Em setembro será a vez de Holy Smoke: Iron Maiden nos anos 90, e em seguida haverá o anúncio de um “álbum a álbum” de uma banda hard dos anos 70. Dos títulos esgotados, Hit the Lights já teve uma segunda tiragem e o próximo será Black Funeral. Além destes, tem outros dois inéditos confirmados para o ano que vem e tantos mais sendo considerados e/ou negociados. Por isso, é recomendável seguir as páginas da Editora Denfire no Facebook (https://www.facebook.com/editoradenfire) e no Instagram (https://www.instagram.com/editoradenfire/) para se inteirar sobre as novidades em primeira mão. 


FM) Camarada Denfire, obrigado por sua determinação com a nossa música. Espero que siga sempre empolgado e produzindo. Chegamos aqui ao final da entrevista. Algo que queira acrescentar antes de enviar as suas respostas via email?
Den) Eu gostaria de agradecer ao Fanzine Mosh pelo interesse no meu trabalho, e a você, CDC, por sua disposição em continuar, década após década, a contribuir substancialmente para fazer essa roda girar. Finalmente, um muito obrigado a todos que adquiriram um ou vários títulos da editora; vocês são parte fundamental da coisa toda.


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